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suspenso, eu seguro e solto

cai

busco firme

sorrindo

disponho ao sol

relaxo os dedos

e cai

quer ficar

deixar

passar

lapso

do tempo ao chão

pra não doer

é brincadeira mente

sem matéria

se eu entender

e girar só

despedir

beijo terno

e deixo.

amar

 

e mudo

pra sempre

 

São Paulo, 26 / Setembro / 2012

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De tocar te transmuto em fogo

Contenho

Esfrio as palmas

Escondo no peito

Descruzo os sonhos que já é hora

de pousar neste vasto descampado

Desembarco

Sem arder

Sem brotar

Apenas fico

Quando atrás encaixa a coluna

Perco a frente

Só tempo

Erosão sendo

De cavar um oceano

Pra sempre expondo

Nada.

 

São Paulo – 11/08/2012

Extraindo os primeiros punhados de superfície com as mãos

pra drenar os venenos do coração

abrindo espaço pra tudo que mudar

Eu não respiro até ventar

Sei q essa folha q voou foi o tempo que partiu

sempre interferente

E assim eles passam como se eu estivesse aqui pra sempre

Por aquele sentimento que se eu soltar não cai

eu me enfrento até o fim.

 

São Paulo, 07/07/2012

Não cheguei a tempo.

Trago-me de volta de longe,

movendo-me diferente sem você.

Não me tem em vista senão fora

do que sempre fala em ser e amar

e lança o mapa na garrafa.

Abro a janela de frio

queimo os olhos de sol

me descasco pra saborear se amo

no tempo de perceber

se o que tem no meio separa

se estamos juntos, se eu continuo

se algo enrosca se o rio corre,

se enraíza.

O mundo vira em mim

nessa pressa que desconsidera os sonhos

que me acorda cansado e me larga no dia,

altero em um outro lado

pra que demore em quebrar de novo.

Pelos tonais distorcidos e extremos

cintilantes sem contorno como uma forte impressão.

Por todas as atmosferas, todos lugares

todos os amores,

por todo campo.

 

São Paulo, 05/06/2012

o que ele tem?
ele vem de longe e não fala nada
foi direto trabalhar.
experimentou um beijo e antes de gostar,
desceu a mão nas costas.
tinha inventado seu tempo e imaginado seu lugar,
detonado e juntado as margens com o coração
e agora chega sem ver hora de sair
e não diz porquê.
o que aconteceu?
o vimos se ocupar, inflar o peito,
cuspir fogo e desviar o curso
e agora que tem sonho,
não vai ficar.

 

São Paulo, 07/11/2011

Aprendi errado
tomei por certo a primeira lição
do meu primeiro diálogo.
perturbei o sono para delirar acordado
me distinguindo dos que sabem o que fazer.
se eu acabasse não seria à toa.
se eu não ligasse
disputaria o jogo sem fazer questão
questionei, e acendi do sonho pra queimar aqui fora
onde eu só via à espreita, desconfiado
preferindo dormir.
vim ser agora um outro mundo
com todos os dias e noites
e todas as estações,
sem genialidade nem riquezas.

(que não espere, estou afinal pronto a desconfundir)

Ele passa por bem perto e não entra
sem perceber que está só encostada
e fica aos arredores de um sentimento
que por descuido a gente cresce sem,
com uma malformação grave do coração
e enquanto a gente não coincide
e só inquieta, continua às voltas
por onde eles estragam o corpo
e recheiam a alma
deixando escorrer sem estancar
e quando o medo de ter morrido passa
por um olhar, com um momento
eu não digo nada para não parar de rir
anormal, porém eufórico.

07/2008

O sol me diz que não é comigo,

que me queima depois.

os deuses atrás dos prédios não escondem a lua

falem dela enquanto reflete na poça dos meus olhos.

e então me desfazem como se eu estivesse brincando.

nessas noites estaladas,

reviravolto em favor do tempo e continuo sem valer.

no meu peito o que ele nunca viu,

imputou sonhos

quando não era só pra um.

sei que ao voltar pra casa

todos os bichos me estranharão

limpo os pés de sangue fátuo

e trago flores para a escuridão

com o passar do tempo eu volto

para o sítio onde provoquei o amor

todas as colheitas feitas

sopram folhas secas por onde eu for

cravo as mãos na terra

pra plantar a força que me ressecou

só tem eu entre esses matos

por essas janelas que a seca cerrou

busco a lenda que não cumpriu

a previsão dos anos de sofisticação

onde no céu eu vou parar? onde estão os outros?

tinha luz quando eu sai.

aqui depois de tanto rege o suor, mãos na enxada e incline-se,

sem a vigilância das corujas,

nascerá o que merece.

e quem sabe ganhe poesia.

 

São Paulo, 06/03/2012