a tempo

Não cheguei a tempo.

Trago-me de volta de longe,

movendo-me diferente sem você.

Não me tem em vista senão fora

do que sempre fala em ser e amar

e lança o mapa na garrafa.

Abro a janela de frio

queimo os olhos de sol

me descasco pra saborear se amo

no tempo de perceber

se o que tem no meio separa

se estamos juntos, se eu continuo

se algo enrosca se o rio corre,

se enraíza.

O mundo vira em mim

nessa pressa que desconsidera os sonhos

que me acorda cansado e me larga no dia,

altero em um outro lado

pra que demore em quebrar de novo.

Pelos tonais distorcidos e extremos

cintilantes sem contorno como uma forte impressão.

Por todas as atmosferas, todos lugares

todos os amores,

por todo campo.

 

São Paulo, 05/06/2012

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