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Arquivo mensal: março 2012

O sol me diz que não é comigo,

que me queima depois.

os deuses atrás dos prédios não escondem a lua

falem dela enquanto reflete na poça dos meus olhos.

e então me desfazem como se eu estivesse brincando.

nessas noites estaladas,

reviravolto em favor do tempo e continuo sem valer.

no meu peito o que ele nunca viu,

imputou sonhos

quando não era só pra um.

sei que ao voltar pra casa

todos os bichos me estranharão

limpo os pés de sangue fátuo

e trago flores para a escuridão

com o passar do tempo eu volto

para o sítio onde provoquei o amor

todas as colheitas feitas

sopram folhas secas por onde eu for

cravo as mãos na terra

pra plantar a força que me ressecou

só tem eu entre esses matos

por essas janelas que a seca cerrou

busco a lenda que não cumpriu

a previsão dos anos de sofisticação

onde no céu eu vou parar? onde estão os outros?

tinha luz quando eu sai.

aqui depois de tanto rege o suor, mãos na enxada e incline-se,

sem a vigilância das corujas,

nascerá o que merece.

e quem sabe ganhe poesia.

 

São Paulo, 06/03/2012

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